Venda de ingressos e o desconforto de pedir “compra aí”

Quando vender parece trair o propósito, mas não deveria.

Teve um dia em que você abriu o Instagram, ficou encarando a tela e pensou:
“Eu precisava postar sobre os ingressos… mas não hoje.”

Não era preguiça.
Também não era falta de estratégia.
Era um incômodo silencioso, difícil de explicar.

Você acredita no evento. Acredita de verdade.
Criou com cuidado, pensou na experiência, escolheu palestrantes, artistas, conteúdos.
Mesmo assim, na hora de vender, algo trava.

O dedo não aperta o botão de publicar.
A frase soa errada antes mesmo de ser escrita.
Parece que pedir para alguém comprar um ingresso é se colocar numa posição desconfortável demais.

Esse texto é para quem já sentiu isso — e ficou com vergonha de admitir.


Quando vender soa como insistir (e não como compartilhar)

Existe um tipo específico de produtor que sofre mais com isso.
O idealista.

Aquele que não começou por dinheiro, mas por causa.
Que queria criar algo que fizesse sentido, que mudasse alguma coisa, nem que fosse para poucas pessoas.

Para esse perfil, vender parece carregar um peso moral estranho.
Como se falar de preço diminuísse o valor da ideia.
Como se insistir na divulgação fosse se igualar a quem só quer empurrar produto.

Então o produtor tenta “amenizar” a venda.

Posta sem CTA.
Fala do evento, mas não fala do ingresso.
Explica tudo, menos como participar.

E depois se culpa porque as vendas não andam.


O bastidor que quase ninguém fala

Aqui vai uma verdade pouco confortável:
se as pessoas não compram, o evento não acontece. Simples assim.

Não importa o quão bonito é o propósito.
Não importa o quanto você acredita.
Sem venda de ingressos, a ideia morre no backstage.

E é exatamente aí que nasce o conflito interno.

Você não quer parecer vendedor.
Mas também não quer ver o projeto fracassar.

Esse lugar do meio — entre acreditar e precisar vender — dói.


O erro não está em vender. Está na forma como você enxerga a venda.

Talvez o problema não seja vender.
Talvez seja o significado que você deu a isso ao longo da vida.

Muita gente cresceu ouvindo que vender é insistir.
Que é convencer alguém a fazer algo que ela não quer.
Que é empurrar, pressionar, incomodar.

Se essa é a imagem que você carrega, é óbvio que seu corpo trava.

Mas deixa eu te propor outra leitura. Uma mais honesta.


Vender é convidar

Vender é convidar alguém para algo que você acredita.
Sem truque. Sem teatro. Sem manipulação.

É dizer:
“Isso existe. Eu criei com cuidado. Acho que pode fazer sentido pra você.”

Só isso.

Quem não quer, não vai.
Quem não pode, não compra.
E quem se conecta, agradece por ter sido avisado.

Quando você esconde o ingresso, você não está sendo humilde.
Está tirando das pessoas a chance de escolher.


O silêncio também é uma decisão (e ela custa caro)

Muitos eventos não fracassam por falta de qualidade.
Fracassam por excesso de silêncio.

O produtor espera o “momento certo” para divulgar.
A frase perfeita.
A segurança absoluta.

Enquanto isso, o tempo passa, o caixa aperta e a frustração cresce.

A venda não aconteceu não porque o evento era ruim, mas porque ninguém foi convidado de verdade.


Bastidor real: quem compra, quase sempre agradece

Quem já passou por isso sabe.
Depois do evento, vem a mensagem:

“Obrigado por ter feito isso.”
“Eu precisava dessa experiência.”
“Que bom que você divulgou, senão eu nem teria ficado sabendo.”

Ninguém diz:
“Poxa, fiquei chateado porque você vendeu ingressos.”

Esse medo mora mais em quem cria do que em quem compra.


Quando a venda vira coerência

Existe um ponto de virada importante:
quando vender deixa de ser um ato de cobrança e vira um ato de coerência.

Se você acredita no impacto do evento, faz sentido escondê-lo?
Se você confia na experiência, por que pedir desculpa ao falar dela?

Vender, nesse caso, não é sobre você.
É sobre sustentar o que você criou.

Ferramentas ajudam — plataformas que organizam ingressos, comunicação e reduzem a fricção desse processo tiram um peso enorme das costas do produtor. A Evenday, por exemplo, costuma entrar nesse bastidor como suporte silencioso, não como holofote. Mas nenhuma ferramenta resolve se o conflito interno continuar.


Não é sobre convencer. É sobre sustentar.

Sustentar o evento.
Sustentar o convite.
Sustentar o próprio propósito.

Você não precisa virar outra pessoa para vender.
Não precisa gritar, exagerar ou prometer demais.

Precisa apenas falar com clareza e verdade.


Talvez o desconforto seja um sinal — não um erro

O desconforto não significa que você está fazendo algo errado.
Significa que você se importa.

Mas ele não pode ser o volante do projeto.

Em algum momento, todo produtor idealista precisa decidir:
vai proteger o próprio conforto ou vai sustentar o que acredita?

Vender não te torna menos verdadeiro.
Te torna responsável.

E responsabilidade, no fim das contas, também é uma forma de cuidado.

Com o público.
Com o evento.
E com você mesmo.

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